Sem adotar, é possível se tornar referência emocional e proporcionar vida social fora dos abrigos para crianças
LAÇOS
Renata Piza com as três irmãs que amadrinhou.
Renata Piza com as três irmãs que amadrinhou.
Ela virou referência para as meninas
Dos milhares de crianças à espera de adoção nos abrigos de todo o País, apenas uma pequena parcela consegue nova família. A maior parte continuará nas instituições por muitos anos, até chegar à maioridade e, assim, atravessar a porta de saída solitariamente. Não faltam pessoas que se comovam com esse drama, mas quem pensa em ajudar se depara com uma questão de difícil solução: o que fazer? Para os jovens que passam a infância e a adolescência sem referência familiar, uma contribuição em dinheiro é algo insuficiente, uma vez que sua principal carência é emocional. Mas nem todos estão preparados para adotá-los. Como resposta a esse impasse, uma iniciativa simples tem dado resultados gratificantes tanto para as crianças quanto para os adultos que se mostram solidários. É o apadrinhamento afetivo, no qual o adulto passa a acompanhar o cotidiano da criança, sua rotina escolar, pode levá-la para passear e apoiá-la em momentos difíceis – tudo sem adotá-la. “Para a criança apadrinhada, é importante porque ela passa a ter uma referência afetiva, sente que alguém se importa com ela e não se vê mais como apenas mais uma na multidão”, explica a psicóloga Edna Orlando, da ONG Quintal da Casa de Ana, em Niterói, Rio de Janeiro, uma das primeiras do Brasil a colocar em prática a ideia. “Para os padrinhos, é gratificante ver como um pouco de afeto pode fazer tanta diferença na vida dos pequenos”, diz.

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