Este blog foi criado pelos alunos do Centro de Ensino Médio 01, 3º "E" e será destinado ao projeto de IC (Integrando a Ciência). Vamos abordar sobre crianças abandonadas pelos pais e aquelas que têm pais e mesmo assim são maltratadas. Mais informações, serão dadas no decorrer das pesquisas durante o ano. A família deve ser a principal responsável pela formação da consciência cidadã do jovem e também apoio importante no processo de adaptação das crianças para a vida em sociedade.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Crianças Abandonadas e Relacionamento

Pensava eu, quando ouvia essa frase:- “crianças abandonadas”, que estava se referindo às crianças sem amparo de adultos, sem casa, sem escola, sem família... sem pais, mães, sem alimentação adequada, sem conforto, roupas, escola etc.

Jamais imaginei que crianças com os itens mencionados acima, pudessem ser “crianças abandonadas”! No entanto, ao conviver com várias delas, em condições materiais bem razoáveis e em muitos casos acima da média nacional, fui surpreendido!

Surpreendido por “crianças abandonadas”, solitárias, isoladas e incompreendidas em suas necessidades básicas de atenção e carinho! Embora alimentadas, vestidas, freqüentando escola, com casa onde morar, pais “vivos”! Não têm suas necessidades mínimas de atenção atendidas!

Sem atenção, carinho e amor crescem reproduzindo o ambiente de abandono que as cercam. Muitas já apresentam dificuldades cognitivas. Não entendem a comunicação! Outras expressam sua carência por meio de “manhas” e medos imaginários, que servem apenas para ter a atenção dos adultos.

Muito pior que isso, são os casos em que as crianças lutam para perceber o mundo a sua volta e são constantemente bombardeadas pelas “baboseiras”e ansiedades dos adultos (pais, mães, avós).

Elas querem assistir a uma peça teatral, um desenho animado, participar de uma nova brincadeira. Mas, são constantemente interrompidas com perguntas idiotas como:- “Quer ir embora? Quer água? Quer pipoca? Pão de queijo? Bla bla bla? E bla bla bla bla?”

Se uma criança não estiver gostando de algo, seguramente ela se manifesta, se afastando ou procurando outra atividade, ou até mesmo chorando. Jamais ficaria “letárgica” esperando que o “adulto” lhe perguntasse algo. Essas perguntas mostram como os adultos estão longe do “mundo das crianças”!

Outras intervenções nas atividades infantis são ainda piores, e desrespeitosas. Não lhes perguntam o que estão fazendo ou se querem ir embora; apenas as chamam e removem de sua atividade, sem considerar ou perceber o que as crianças estão fazendo.

Se não respeitam as atividades das crianças, não respeitam as crianças! Se não prestam atenção no que a criança faz, também não dão atenção a ela! Assim não se estabelece comunicação, apenas imposição pelas ações dos adultos, ignorando a necessidade da criança.

Abandonando-a a própria sorte nesse “mar de materialidade” que não trouxe a felicidade dos pais e seguramente, não trará a dos filhos... Suas babás por mais carinhosas que sejam não são as mães ou pais. Os objetos materiais que as cercam não substituem a atenção, pois a atenção é insubstituível.

A atenção cativa, envolve, diferencia. Como no livro do Pequeno Príncipe a raposa lhe explicou, que quem dá atenção, cativa. E se cativar alguém, essa pessoa será, para você, diferente de todas as outras. Com isso ocorrerá o vínculo entre os envolvidos. É isso que a criança busca e precisa dos pais e “adultos”, atenção.

Atenção é o que define a nossa percepção. Aquilo em que prestamos atenção é o que percebemos. O mundo que cada um percebe é o que ele (a) presta atenção. A atenção determina a percepção e a percepção determina a “realidade” de cada um... a forma como vêem o mundo e como se relacionam com ele.

Assim adultos, individualistas, egoístas, neuróticos, psicóticos, presos a valores mesquinhos e apenas materiais, não dão atenção às crianças. Negam o que é mais importante, a atenção, o amor, o interessar-se pelo outro de forma descontraida, só para interagir com ele.

Quem serão os adultos de amanhã? As crianças de hoje... Se os próprios pais as abandonam na materialidade, sem atenção e carinho. É muito sombrio e triste “ter tudo” e ao mesmo tempo “não ter nada”... Ter objetos, e não atenção, carinho, amor... São crianças igualmente abandonadas!

Se essas palavras lhe tocaram, que sirvam de alerta, para, onde quer que esteja, se houver uma criança, lhe dê atenção. Faça a sua parte não a abandone você também. Atenção não é imposição da sua forma de pensar ou brincar, mas antes de tudo é:- perceber a dela! É perguntar a ela sobre o que ela está fazendo. E se ela não quiser responder não insista, aceite.

A observação zelosa e desinteressada, desapegada dos resultados é que ampara, é protetora. É como o olhar das antigas avós que iluminavam o caminho dos netos, sem precisar proferir uma só palavra... E isso é o exercício da atenção desapegada, pode ser aprendido e praticado por todos nós.

Salvem as crianças, sementes do novo mundo. Cumpram sua parte para que brilhe a luz da inteligência e do amor na humanidade. Divirtam-se com a vida, a cada dia, com sua poesia.


Fonte:http://www.ricardofera.com/artigos/relacionamentos/97-criancas-abandonadaserelacionamento.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário